Por mais voltas que dermos, nos dias que correm as carrinhas familiares querem-se económicas e racionais. Mas isto não é necessariamente uma “tragédia”. A Ceed SW, a Cruze SW e a Octavia Break são a prova de que bom, barato e bem equipado são argumentos compatíveis.

A anterior geração Ceed SW marcou um ponto de viragem para a Kia e, de certa maneira, para todo o segmento dos pequenos familiares. Pela primeira vez (juntamente com o irmão Hyundai i30) tínhamos uma proposta coreana capaz de se bater com os melhores de igual para igual. Bem desenhada, competente dinamicamente, qualitativamente apurada e com uma relação preço/equipamento atraente, a carrinha Ceed deu algumas dores de cabeça à concorrência. Mas também deixou um pesado legado e a geração que agora a substitui tem uma tarefa complicada pela frente.

Para melhor avaliar a evolução sofrida nada melhor do que colocar a Ceed SW 1.4 CRDI TX à prova perante duas propostas que jogam no mesmo campeonato e com armas similares. A Skoda Octavia Break 1.6 TDI Greenline já está na fase descendente da carreira comercial, mas continua a ser imbatível no espaço para pessoas e bagagens e a ser um exemplo na economia de compra e utilização. A Cruze SW 1.7 VCDi será, à partida, a mais temível das suas adversárias. O preço é aproximado e o equipamento similar, mas a Chevrolet tem mais 40 cv de potência e nem sequer gasta mais.

Os dados estão lançados. Será a Ceed capaz de começar a sua carreira com o pé direito vencendo o primeiro comparativo onde se vê envolvida?

Com o pé esquerdo
Como referimos, a carrinha Ceed começa com um handicap importante na potência. Numa utilização normal, a versão 1.4 CRDi de 90 cv não compromete. O bom valor de binário (220 Nm) disponível logo às 1500 rpm torna a resposta a baixos regimes suficientemente pronta. Até meia carga de acelerador a Ceed disfarça bem os curtos 90 cv, mas a falta de resposta quando o pressionamos a fundo denuncia as dificuldades do pequeno 1.4 CRDi em locomover os mais de 1400 kg de peso. Obviamente que o cenário piora se carregar a Kia com cinco ocupantes e carga, até porque a mala tem uns generosos 528 litros de capacidade.

As diferenças saltam à vista quando passamos para a Octavia Break. O 1.6 TDI está longe de ser um exemplo de celeridade, sendo mais reconhecido pelos consumos do que pelas prestações. Até porque a longuíssima caixa de apenas cinco relações da versão Greenline ajuda a diluir qualquer réstia de ânimo que os 105 cv pudessem ter. Ainda assim, na prática, a Skoda parece muito mais desenvolta do que a Kia, especialmente com ocupantes e (alguma) carga. Os números medidos confirmam esta impressão, com o Skoda a revelar-se uma verdadeira surpresa nas acelerações. Nas recuperações, o 1.6 TDI é, como referimos, traído pela caixa longa.

Speedy... cruze
Passar diretamente da Kia para a Chevrolet é um choque maior do que a simples observação da ficha técnica deixaria antever. Tirando a ligeira anemia a baixos regimes, o 1.7 VCDI joga num campeonato à parte. O mais curioso é que, apesar da esmagadora supremacia nas prestações, o Chevrolet não se mostra particularmente guloso, exigindo menos gasóleo em troca do que o Kia e estando no mesmo patamar de eficiência em circuito urbano do Skoda. A Octavia acaba por se superiorizar nos consumos em estrada, já que a velocidades estabilizadas (90 e 120 Km/h) chega a gastar menos um litro por cada 100 km percorridos.

Neste ponto, a Kia acaba por ser a ovelha negra do grupo, especialmente em cidade. A explicação poderá estar na necessidade de “espremer” constantemente o 1.4 CRDI para manter o andamento, o que num ambiente citadino menos favorável (com muitas subidas e bastante sinuoso) acaba por lhe ser fatal. Felizmente para a Kia, o item “Economia” não se esgota nos consumos e a já famosa garantia de sete anos da marca coreana, associada à oferta da manutenção programada durante 5 anos ou 75 mil km, ajudam a Ceed SW a recuperar alguma vantagem. Ainda assim, este último argumento obriga a um esclarecimento adicional. Dado que os intervalos de revisão previstos pela Kia são de 2 anos ou 30 mil km, na prática a marca coreana oferece duas revisões... Ainda assim é bem melhor do que o proposto pela Chevrolet e pela Skoda. A primeira prevê intervalos de revisão de apenas 15 mil km ou 1 ano. A Skoda só obriga a ir às revisões a cada 30 mil km, mas a garantia geral não passa dos obrigatórios 2 anos.

1.4 ou 1.6 CRDI?
Feitas as contas, a Ceed acaba por levar de vencida esta primeira contenda, mas a vitória foi muito suada e, na prática, chegámos à conclusão de que a combinação do motor 1.4 CRDI com o nível de equipamento TX pode não ser a mais racional. Se o objetivo for poupar no preço, vale mais optar pela versão EX que custa menos 2500 euros e não está disponível no motor 1.6 CRDI de 128 cv. Se estiver em condições de alargar ligeiramente os cordões à bolsa, invista cerca de 1300 euros face ao 1.4 CRDI TX e opte pelo 1.6 com o mesmo nível de equipamento, bastante mais célere e com consumos pouco mais altos.

Se, por outro lado, a prioridade for o espaço e os consumos, a Skoda está bem posicionado para responder aos seus intentos. Apesar do aspeto datado e do interior tristonho, a Octavia continua a ser a mais barata das três e a ter a maior bagageira do segmento (580 litros). Já para não falar numa qualidade geral acima da média e numa convincente relação conforto/comportamento.

A Cruze SW é prejudicada pelo menor espaço da mala (500 litros) e por ser a menos refinada das três (a insonorização é a pior e o conforto também é inferior), mas é imbatível na relação entre o que custa, o que anda e o que gasta. Além disso é muito bem equipada e é a mais divertida de conduzir das três.

Mais uma prova de que a tradição já não é o que era e que algumas marcas europeias têm razões para estarem preocupadas....  

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