Esta é a A4 Avant mais ecológica de sempre e a 318d Touring também cá está, uma vez que é a sua grande rival. A estas carrinhas junta-se a Insignia Sports Tourer Ecoflex.




Com a crescente relevância fiscal das emissões de CO2, o cerco aos fabricantes aperta-se e o resultado são automóveis cada vez menos poluentes. Veja-se as carrinhas aqui reunidas, todas elas mais focadas nos baixos consumos e na redução do impacto ambiental do que na obtenção de performances de topo. Foram desenvolvidas para serem mais eficientes, para extraírem o melhor de cada gota de combustível, para chegarem mais longe com um depósito. E com a malha rodoviária cada vez mais densa e povoada de radares de velocidade, por que não esquecer as versões mais potentes, acalmar os ânimos e optar por uma destas propostas “ecologicamente correctas”?

Esta A4 Avant conta com a definição mais limpa do 2.0 Diesel common rail. Designado TDIe, debita 136 cv, conta com o sistema start/stop, anuncia 129 g/km de CO2 e pode ser sua por menos de 40 mil euros. Nada mau. A BMW 318d Touring é a sua rival natural e, juntas, formam um duo Premium que deixa todos os outros modelos do segmento roídos de inveja. Contudo, a carrinha da Opel merece marcar presença neste comparativo. A marca de Rüsselsheim pode não ter o prestígio das suas compatriotas, mas a Insignia Sports Tourer é uma das suas melhores criações de sempre e aposta em três bons argumentos: tamanho, equipamento e preço. Além disso, o 2.0 CDTI Ecoflex de 160 cv torna-a na mais potente do grupo, o que a poderá poderá beneficiar nas prestações.

O posicionamento da Audi e da BMW é bem diferente. Ainda que os preços estejam incrivelmente aproximados, convém realçar que na Insignia considerámos todos os extras que a unidade ensaiada incorporava, ao passo que nas outras só o fizemos com aqueles que influenciavam a apreciação dinâmica e a aparência, como as jantes de 17 polegadas e as barras de tejadilho da Série 3 e a direcção servotronic da A4 – todos os opcionais inscritos na tabela de equipamento são os considerados em cada modelo.

GRANDE E RECHEADA
A novidade é a Audi, mas a Opel intimida com o seu tamanhão e reclama as atenções para si. Basta dizer que mede 4,9 metros de comprimento! Junto da Insignia, a A4 Avant e, especialmente, a Série 3 Touring parecem pequeninas. É maior em todos os sentidos e é isso que a torna mais volumosa por dentro, levando mais bagagem e proporcionando mais espaço, tanto à frente como atrás – ainda assim, a Insignia não é tão habitável quanto seria de esperar de um automóvel tão grande. Com tanto recheio, rapidamente nos esquecemos que os materiais não estão bem ao nível dos que se encontram nas outras duas carrinhas: o grotesco portão da mala abre-se automaticamente, as jantes são de 18 polegadas, os faróis bi-xénon adaptativos fazem a gestão dos máximos e dispensam a intervenção humana, a suspensão pilotada Flexride dá-lhe a possibilidade de ajustar o amortecimento em função do estilo de condução, o banco do condutor regula-se electricamente, os estofos são parcialmente forrados a pele, o sistema áudio da Infinity apura o ambiente acústico, a navegação traça o rumo até ao destino pretendido, a tecnologia Bluetooth liga o seu telemóvel ao sistema mãos-livres...

A A4 Avant sabe mesmo receber os seus ocupantes, disso não restam quaisquer dúvidas. O aspecto detalhado dos botões e o elaborado desenho da consola central fazem coisas maravilhosas, como dar a entender que estamos a bordo de um automóvel bem equipado, quando, na verdade, não há muitos gadgets para explorar – condutor e passageiro até têm de chegar a um entendimento prévio quanto à temperatura da climatização… Felizmente, a qualidade é um dado adquirido e, assim que as portas se fecharem, vai sentir-se realmente isolado do que se passa lá fora.

A Série 3 Touring, à semelhança da A4 Avant, presta aquela atenção ao detalhe que torna o ambiente a bordo um pouco mais refinado e… especial. É a justa medida de carrinha: contida nas dimensões exteriores, desafogada por dentro e com uma bagageira prática no quotidiano, contando mesmo com a abertura do óculo traseiro. E na versão Navigation, como o nome indica, já pode contar com o sistema de navegação, ao qual se associa o Bluetooth e o armazenamento de conteúdos musicais em formato mp3.

EFICÁCIA DAS ARGOLAS
Naquele “vai à frente, chega atrás” da sessão fotográfica, para ajeitar as carrinhas frente à câmara, fica bem claro que a Audi é a mais fácil de guiar. A embraiagem doseia-se sem dificuldades, o motor não tem tendência para se “calar” e a resposta da direcção é muito proporcional ao esforço empregue no volante. A A4 Avant progride com uma convicção que as suas rivais não conseguem acompanhar, tem resposta pronta e muito fôlego, mesmo sabendo-se que a caixa tem a relação final alongada. A suspensão rebaixada, que a deixa um pouco seca, torna-a extremamente estável a alta velocidade e é impressionante como, mesmo com pneus tão modestos, consegue curvar tão bem e travar ainda melhor.

A 318d Touring segue-a de perto, mas para isso é preciso puxar-se bem por ela, porque o motor não é tão expedito a transitar dos baixos para os médios regimes. A interacção que estabelece com o condutor é completamente diferente, exigindo mais empenho físico e melhor coordenação motora para que as passagens de caixa saiam bem. Tipicamente BMW. Igualmente firme a processar a estrada, a Touring não deixa de ser refinada e remata o curso final do amortecimento com um “acolchoado” que impede os ocupantes de levar pancada. E nos pisos escorregadios, é um prazer desligar a vigilância electrónica e desfrutar da tracção traseira… A BMW é um exemplo de equilíbrio e eficácia dinâmica.

Pesada, com uma transmissão longa e com o motor menos elástico do lote, a Insignia Ecoflex precisa de embalo para acompanhar as adversárias – além disso, a lentidão da caixa dificulta a condução. Não anda mal, mas fica relegada para o terceiro lugar em matéria de prestações, o que sabe a pouco tratando-se da carrinha mais potente deste comparativo. O que é notável é como um automóvel desta envergadura consegue curvar tão bem, o que talvez se deva à suspensão pilotada Flexride, que assegura o melhor compromisso entre comportamento e comodidade.

POUPANÇA PREMIUM
Todas elas prestam especial atenção aos consumos e dão “dicas” ao condutor sobre como usar o motor da forma mais eficiente, mas só a BMW e a Audi contam com o start/stop para incrementar a poupança em circuitos urbanos – o dispositivo da A4 é mais suave na actuação, mas o da Série 3 intervém com mais assiduidade, o que favorece ainda mais a economia. A Opel é a que mais gasta e rubrica uma média ponderada de 7,3 l/100 km, o que não é excessivo face ao seu peso.

A surpresa é ver que a Audi é a mais “barata” do grupo, uma constatação enganadora, já que a relação preço/equipamento é bem menos atractiva que a da Opel, que custa apenas mais 1129 euros. E é precisamente neste ponto que a Insignia arrecada a vitória: se tentar recriar a lista de equipamento da unidade ensaiada através das tabelas de opcionais da Audi e da BMW, irá totalizar largos milhares de euros em extras... Há qualquer coisa de inexplicável que justifica o estatuto de superioridade de uma Série 3 Touring ou de uma A4 Avant face à Insignia: talvez seja o aspecto mais refinado dos interiores, talvez seja a maior suavidade mecânica, talvez seja apenas a imagem de marca… A “ascensão social” ainda não está ao seu alcance, mas a Opel dá a volta ao texto e reescreve um chavão popular: se não te consegues juntar a elas… bate-as.

 


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