A luta entre estes três nomes Fiesta, Corsa e Clio é quase tão antiga quanto o próprio segmento dos utilitários. Com a chegada do novo Fiesta voltam a enfrentar-se.

Ford Fiesta, Opel Corsa e Renault Clio são sempre nomes a considerar quando se equaciona um utilitário. O equilíbrio é tal que a luta entre eles é sempre renhida e por vezes apenas as vantagens particulares dadas por um concessionário de uma das marcas dita a decisão final.

A grande novidade no actual confronto é precisamente o Fiesta, “velho” cavalo de batalha da Ford no segmento e que agora chega na sua sexta geração. Seguindo o gene estilístico do “kinetic” design da marca, um dado é certo, o novo Fiesta dá nas vistas na cidade, gerando interesse por onde passa.

Equipados com motores de potências muito semelhantes a rondar os 70 cv, os três modelos revelam diferenças ligeiras nas prestações, nomeadamente na aceleração dos 0 aos 100 km/h, onde o Fiesta leva a melhor com 14,9 segundos. Este dado é reflexo da forma mais célere com o que o motor 1.4 TDCI sobe de regime logo a baixas rotações. Já o Opel sai prejudicado pela lentidão do seu motor sensivelmente até às 2000 rotações.

O Clio, apesar de ser o mais lento na aceleração, compensa esse facto com um bom escalonamento da caixa de velocidades que explora melhor as potencialidades da motorização e consegue as melhores recuperações. Todos estes motores exibem bons consumos e emissões, ficando-se todos abaixo dos seis litros em média ponderada e não ultrapassam as 120g/km de CO2. As diferenças de escassos decilitros entre eles não justificam que algum seja destacado.

Em termos de economia, o 1.4 TDCI e o 1.5 dCi só saem prejudicados por terem de mudar o óleo a cada 20 mil km ao passo que o 1.3 CDTI só o faz a cada 30 mil. Em compensação, a disponibilidade do motor a baixas rotações facilita a sua utilização citadina, facto para o qual ainda é auxiliado pelos sensores de estacionamento traseiros. Também o Corsa possui este sistema, mas face ao Clio, estas duas propostas saem penalizadas pelo facto das suas caixas de velocidades não serem um primor de precisão, o que não simplifica muito a tarefa do condutor.

Já a direcção muito leve do Clio é meio caminho andado para tornar qualquer manobra uma “brincadeira de crianças”. Tem o inconveniente de ser demasiado artificial no seu tacto e pouco informativa, o que não ajuda muito quando os traçados se tornam mais exigentes para a dinâmica do Clio, que mesmo assim se revela o melhor dos três, pois a sua boa plataforma “puxa dos galões” e confere-lhe eficácia e agilidade.

Já o Fiesta é fácil de controlar, mas não é muito linear nas suas reacções, em especial do eixo traseiro que em apoio tem tendência para escorregar um pouco demais, exigindo algumas correcções. O Corsa exibe reacções neutras, mas não consegue a rapidez do Renault. O bom amortecimento que o Clio mostra quando enfrenta uma estrada de mau piso, associado aos seus bancos com um estofo mais esponjoso, são a garantia de um bom conforto de rolamento. Esse conforto estende-se ao plano acústico, onde o motor 1.5 dCi se mostra mais silencioso que os seus dois rivais.

O Ford ainda exibe algum ruído de rolamento e o Corsa é o que possui o motor mais barulhento, em especial a frio. Por outro lado, o espaço interior oferecido pelo Corsa é o mais generoso, em especial para os ocupantes dos bancos traseiros que viajarão mais à vontade, nomeadamente no que diz respeito ao espaço disponível para as pernas. A maior largura atrás do Clio garante-lhe a segunda posição no “ranking” do espaço, à frente do Fiesta, que não acompanha as cotas exibidas pelos seus concorrentes.

Contudo, a posição de condução do utilitário da marca de Henry Ford é a melhor. Tira partida da ampla regulação do volante tanto em altura como em profundidade e além disso oferece uns bancos envolventes. O resultado é um bom compromisso para o condutor, independentemente da sua estatura.

O Opel peca pela dureza dos seus bancos que possuem um apoio lombar algo exagerado, levando a que o encosto seja colocado numa posição “demasiado” vertical para compensar esse facto. Mas, mesmo assim, é mais fácil conseguir uma boa posição no Corsa que no Clio, onde o volante, que só se ajusta em altura, por muito que se tente, acaba sempre por ficar numa posição muito horizontal, ao jeito de monovolume.




Em termos de qualidade do habitáculo, a Ford apostou forte neste Fiesta e os resultados estão à vista, os materiais moles abundam na parte superior do tablier beneficiando bastante o ambiente que se vive a bordo. Neste ponto supera o Clio, também ele com este tipo de materiais, mas utilizados de forma menos “generosa”.

Já o Corsa exibe folgas reduzidas na sua montagem, mas a qualidade dos plásticos não está no mesmo patamar dos seus dois opositores. Na hora de distribuir os objectos pessoais pelo interior, tanto o Fiesta como o Corsa são aqueles que mais simplificarão essa tarefa, pois propõem um maior número de espaços de arrumação e, no caso do primeiro, estes possuem um bom volume, em especial os das portas.

Na versão Intouch, o Corsa ensaiado capitaliza pontos no equipamento, face aos rivais, pela inclusão de série do sistema multimédia AVIC F900BT da Pioneer. Tanto o Fiesta como o Clio possuem ar condicionado automático, mas nem assim fazem frente ao Corsa. O modelo francês em particular é o menos equipado (o que acaba por ter reflexo positivo no preço final).

No equipamento de segurança o utilitário da Opel também se distancia, pois além dos habituais airbags e ABS, a unidade ensaiada inclui o controlo de estabilidade e cortinas insufláveis. O Ford possui o airbag para joelho do condutor, mas não inclui as cortinas insufláveis (apenas disponíveis como opcional). O Clio acaba por ficar para trás, pois não inclui controlo de estabilidade.

Olhando para a carroçaria, os três modelos exibem algumas folgas e desacertos no alinhamento dos painéis móveis, mas num nível típico e aceitável para o seu segmento. O Fiesta acaba por levar ligeira vantagem pelo maior número de borrachas utilizado nos arcos das portas, o que lhe confere uma maior qualidade de construção. A maior bagageira também é um título reclamado pelo Ford, mas a sua acessibilidade e formato não são dos melhores.

Já no Corsa, a inclusão de um separador que faz de soalho e divide o compartimento em duas áreas confere-lhe versatilidade, ao passo que no Clio o baixo plano de carga e grande amplitude da boca de acesso lhe dá a melhor acessibilidade. Estes factores acabam por colocar as três bagageiras ao mesmo nível mas por razões diferentes.

Por fim, o preço final destes três modelos comparados está num plano competitivo, considerando a sua relação com os equipamentos que propõem. A diferença entre cada um dos modelos situa-se entre os 300 e os 400 euros, o que não sendo muito grande, é suficiente para os distanciar, ficando o Clio com o “prémio” do mais acessível, mas basta haver um concessionário com uma qualquer campanha promocional para inverter a situação a favor de um dos outros concorrentes.

No fundo, o Fiesta entra bem no segmento, revelando que é preciso contar com ele no momento de equacionar uma escolha. Contudo, a diferença pontual entre estas propostas deixa antever uma luta renhida pelas vendas, pois estamos perante três utilitários “de alta competição”, onde só pequenos detalhes fazem a diferença.

 


Assine Já

Edição nº 1460
Já nas bancas

Digital Papel

Vídeos

Max Verstappen diverte-se no SEMA
  • Max Verstappen diverte-se no SEMA
  • Um McLaren P1 que todos podemos comprar
  • Super 7 by Kia - Portimão 2017

Galerias

Nissan X-Trail 1.6 dCi | Peugeot 5008 1.6 BlueHDI | Renault Grand Scénic 1.6 dCi
  • Nissan X-Trail 1.6 dCi | Peugeot 5008 1.6 BlueHDI | Renault Grand Scénic 1.6 dCi
  • Teste da Semana: Kia Stonic 1.0 T-GDI
  • Mercedes-Benz E 220 d Cabrio

Top

Os mais recentes