O sonho de guiar concretiza-se, muitas vezes, ao volante de carros pequenos. Por norma, são baratos, fáceis de conduzir e gastam pouco, o que os torna muito apetecíveis para quem se estreia na condução. É o caso do Opel Karl e do Toyota Aygo, que fazem dos percursos urbanos o seu habitat, sem que as despesas em gasolina ao final do mês se tornem proibitivas.

Agora, a VW reforça a sua aposta no segmento A com o restyling do Up que mostra também ser possível sentir a imagem premium dentro da cidade, mas não deixa de ser fácil de levar pelas suas ruas mais acanhadas. O preço, e dependendo da versão, acaba por ser um pouco mais elevado como comprovam os 14 645 euros que custa esta versão high up em ensaio. É o mais caro, mas oferece uma panóplia de elementos de conforto muito competitiva tendo em conta o que a VW costuma oferecer de série noutros modelos. À primeira vista, tudo indica que esta jogada da VW terá resultados positivos, mas será que estes argumentos chegam para bater citadinos mais em conta e também com enormes valias como o Opel Karl e o Toyota Aygo (que escolhemos em representação do trio Citroën C1/Peugeot 108/Toyota Aygo por ser o mais irreverente esteticamente)?

Em isolamento, o VW é um carro pequeno, mas parece ganhar tamanho quando o estacionamos perto do Opel e, especialmente, do Toyota. Mais largo e mais alto que estes seus rivais, falta-lhe ser mais comprido para as pernas, mas neste capítulo o Opel não dá qualquer hipótese, pois o comprimento total permite a oferta de um generoso espaço no banco de trás. O Opel é o que melhor acomoda quatro pessoas. Aliás, tem lotação para cinco, enquanto o VW e Toyota só têm para quatro, mas o Up volta a levar a melhor no espaço para malas. A bagageira é a maior e a mais utilizável. São 250 litros contra 205 litros do Opel… Curiosamente, o Aygo deixa o condutor e o passageiro viajarem “à larga”, mas tem de “cortar” no espaço atrás e no volume da mala, que é mínima! Com apenas 168 litros de capacidade de carga e um acesso muito estreito, bastam alguns sacos de compras ou um objeto mais volumoso para sermos obrigados a rebater os bancos traseiros… 

A génese citadina do Aygo explica o ambiente espartano que se vive a bordo. A qualidade do design interior disfarça o espírito minimalista, mas temos muita chapa à vista, plásticos lustrosos e vidros traseiros de abertura em compasso. Esta versão, x-pure LETS GO já inclui, de série, o ar condicionado - como acontece com os seus adversários – jantes em liga leve de 15” white machined, luzes diurnas de circulação em LED e sistema multimédia x-touch (oferta da campanha).

O Opel Karl, que também se carateriza pela simplicidade, é o único que tem o interior todo forrado a plástico, sem portas com chapa à vista, como nos outros dois. Claro que os plásticos são duros, mas nem têm mau toque. Têm, inclusivamente, um aspeto robusto de que não se vão desconjuntar dentro de um ou dois anos. Destaque para a lista de equipamento completa e para a posição de condução mais elevada, apenas manchada pelo apoio lombar demasiado saliente e sem regulação que, por vezes, dá a sensação que magoa mais do que se torna confortável.

O Up é exemplar e acaba por ser o mais robusto dos três. Percebe-se o cuidado que a marca alemã empregou na união dos painéis, do forro do tejadilho e a chapa à vista acaba por reforçar o ar refinado, ao contrário do que poderia parecer. De louvar a colocação do comando do vidro elétrico da porta do passageiro junto ao do condutor, solução que não existia no anterior Up e que obrigava a esticar o braço pelo habitáculo quando se pretendia abrir o “outro” vidro. Os locais de arrumação existem e estão corretamente dispersos, fazendo deste igualmente prático no quotidiano.

Destaque para o Karl no capítulo da segurança ao propor o aviso de transposição da faixa de rodagem. O ESP e os seis airbags marcam presença em todos. 

A importância de ser pequeno

As maiores dimensões do Karl podem dar muito jeito para levar pessoas e bagagem, mas o reverso da medalha surge quando tentamos estacioná-lo num lugar mais apertado… Não é dramático, longe disso, mas é o “menos bom” do trio neste capítulo, pois nem sequer tem nenhuma ajuda eletrónica como existe nos outros. Apesar da visibilidade traseira não ser famosa, o Aygo é ainda mais fácil de arrumar que o Up, porque até tem câmara de marcha-atrás, mas este último parece tão estreito que passa sem dificuldade onde os outros fazem tangentes com os retrovisores. Até tem sensores de estacionamento traseiros refletidos numa imagem que surge no ecrã do rádio, em mais um detalhe de qualidade. E o motor de três cilindros, além de ser silencioso q.b., é despachado no meio do trânsito e está associado a uma caixa de engreno suficientemente suave. Engreno suave é coisa que a caixa ríspida do Aygo não se pode gabar e o barulhento motor de três cilindros parece não se desenvencilhar com a mesma naturalidade do Up. Já o Karl mostra uma insonorização melhor até que a do VW. Tem ainda o modo de condução City, que torna a direção mais assistida, ao carregar de um botão, útil em manobras, apesar de a direção nunca ser pesada. É um modo destes que falta ao Toyota, pois exige mais esforço no volante, além de ter os pedais com tato menos preciso. Pelo contrário, no Up todos os comandos têm a habitual perfeita calibração da VW: tudo muito suave, sem nunca ficar leve de mais.

Já nos perímetros suburbanos com limites de velocidade mais altos, nota-se que o Up e o Karl são os que melhor se comportam nas mãos de condutores mais apressados. Curvam com convicção e têm reações ágeis, com o VW a superiorizar-se no poder de travagem. Na estabilidade em vias rápidas e no conforto de rolamento, o Opel acaba por sair por cima - neste último aspeto, o Aygo revela uma secura que nem sempre se dá bem com o asfalto esburacado.

Pela carteira

O consumo médio abaixo dos 6 l/100 km faz destes três modelos soluções económicas para o dia a dia, apesar de consumirem gasolina. O Opel faz revisões de 30 em 30 mil quilómetros, contra os intervalos de 15 mil quilómetros do Up e do Toyota, sendo que este último beneficia de uma garantia geral de cinco anos ou 160 mil quilómetros, enquanto o Karl e Up estão abrangidos pelos normais 2 anos.

No que toca ao preço, o VW faz jus ao nome e é o mais caro (quase 15 mil euros nesta versão), mas até se justifica pelo que oferece. Opel e Toyota são um tudo ou nada mais baratos, mas se o japonês ganha pontos no valor de retoma e na imagem de fiabilidade, os europeus também não os perdem. O VW não mudou muito, mudou o suficiente para ser um citadino ainda mais completo, todavia não e fácil lutar contra os argumentos de um Opel maior e... mais barato.

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