Este não é só mais um comparativo de SUV. É o confronto que lhe vai mostrar como até 55 mil euros pode comprar um de três “jipes” diferentes, familiares, funcionais e com uma lista de equipamento muito completa.  Entre os premium e os mais generalistas, há os sete lugares, como o Hyundai Santa Fé, as versões base de verdadeiros todo o terreno, como o Land Rover Discovery Sport 4x2, e os que apelam à imagem de marca, como o Volvo XC90 D4. Eis um tira-teimas menos óbvio.

O seu plafond da empresa para comprar carro posiciona-se entre os 50 e os 55 mil euros? Quer um SUV de dimensões generosas, com espaço, cinco ou sete lugares (mais dois bancos extra podem sempre dar jeito), muito equipamento, fiável, bem construído e que mostre estatuto? Então este comparativo é para si. Juntámos três propostas com caraterísticas emocionais diferentes que se unem pelo fator preço e pela condução numa posição mais elevada. São uma espécie de “jipes a fingir”, até pelos seus atributos, que proporcionam a comodidade de um ligeiro convencional com uma envolvência de requinte, qualidade e conforto acima da média. A grande novidade é o Land Rover Discovery Sport, o “senhor” jipe que alimenta paixões e que chega a este comparativo munido do seu lado menos todo o terreno, equipado com o novo motor Ingenium de 150 cv e só com tração dianteira. O Hyundai Santa Fé representa a racionalidade. É um produto que sofreu enorme evolução, não só estética, mas na mecânica e na qualidade geral, e chega-nos com o motor 2.2 CRDi de 200 cv, caixa automática, sete lugares, uma lista de equipamento ultra completa e um desconto no preço final avantajado (pode chegar os 4500 euros com financiamento). O lado da experiência fica a cargo do Volvo XC60, o mais antigo modelo deste trio mas que ainda está para as curvas enquanto não chega a nova geração. Traz sob o capot o 2 litros de quatro cilindros com 190 cv que recebe a designação D4. Não menos relevante é o facto de pagarem Classe 1 nas autoestradas, o XC60 sem ser necessário adquirir o identificador da Via Verde e os outros dois a obrigarem à compra do dispositivo.

Espaçosos

Logo no primeiro item pontuado, a segurança, o Volvo sai vencedor. Os suecos há muito que prezam essa área e querem estar sempre um passo à frente. Assim, não descuram o já comum City Safety, o sistema Blis de aviso de ângulo morto ou o aviso de transposição de faixa de rodagem. O Hyundai também contempla alguns elementos, como o avisador de transposição de faixa de rodagem ou o de ângulo morto. O Discovery, nesta versão SE, fica-se pelos airbags e pelo ESP. Na montagem e alinhamento dos painéis, e apesar das diferentes origens, sente-se um cuidado cada vez maior das marcas em acertar as uniões. Numa observação mais atenta às folgas e junções dos painéis não se notam diferenças assinaláveis. No departamento “mala”, os três acabam empatados. O Discovery Sport propõe o maior volume com 541 litros, pois o banco traseiro pode ser regulado longitudinalmente sobre calhas, permitindo, à vez, aumentar ou diminuir o espaço para bagagem e/ou ocupantes. O Santa Fé, com os cinco lugares montados e os dois extra recolhidos, iguala a contenda com 516 litros de volume e o Volvo oferece uns não menos generosos 495 litros, aos quais junta o portão da bagageira elétrico.

Acedendo ao habitáculo, há espaço de sobra em todos, mas a vantagem cai para o lado do Discovery Sport e do Hyundai que conseguem brilhar em relação ao XC60, que nem é nada acanhado. O índice de qualidade é muito elevado nos três, até mesmo no coreano que fica à margem de críticas. No Volvo, face aos adversários, os anos já pesam e mesmo perante os novos produtos da marca sueca, o XC60 já se ressente. Nos espaços para arrumos, o Volvo torna-se também algo desorganizado. Já o Hyundai e o Land Rover agradam pela elevada capacidade de encaixar todos os objetos que não cabem nos bolsos e até pela multiplicidade de tomadas, USB ou de 12 volts. Quanto ao equipamento, todos obrigam a fazer uma equação na relação preço/equipamento, já que a lista de elementos de série é completa e a de opcionais um pouco dispendiosa (exceto no Hyundai que não tem opcionais).

Na posição de condução, o XC60 e o Land Rover somam pontos. A coluna da direção tem uma incrível amplitude em altura e profundidade e tudo parece ficar perfeito. No Santa Fé, a posição também é boa, mas o volante fica longe da vertical e para poder ficar mais confortável é preciso puxá-lo todo para o “tórax”. No ruído Diesel, o Volvo perdeu a melodia do cinco cilindros anterior, mas ganhou um refinamento muito bom, sem se ouvir e deixando enorme tranquilidade no habitáculo. O Land Rover não disfarça mal a sigla Ingenium D, apesar de mais audível que o Volvo. O Hyundai é o menos silencioso.

Dinâmica

Pela cidade, os três facilitam a vida com sensores à frente e atrás e câmara traseira no caso do Hyundai e do Volvo. Este dois juntam ainda o argumento da caixa automática, ao contrário do Land Rover. O modelo sueco e o Discovery Sport (mesmo tendo este último caixa manual) cativam ainda pela grande facilidade e suavidade com que permitem dosear direção e caixa. O Santa Fé desilude pela imprecisão de alguns comandos e até da própria caixa de velocidade, que em ambiente urbano mostra algumas hesitações. É, porém, entusiasmante a acelerar, graças ao seu potente motor. Já na dinâmica, deixa a desejar. O controlo dos movimentos da carroçaria não é perfeito e, mesmo curvando com segurança, o condutor tem de tentar não se intimidar com a inclinação da carroçaria. O Volvo é divertido na forma como se deixa provocar e conduzir quase como um familiar desportivo. Agrada e é competente, mas não é a referência do segmento e tem um volante de dimensões exageradas. Ainda no comportamento, o Discovery Sport tem um argumento de peso. Tem uma direção comunicativa e muito intuitiva que lê o asfalto como poucas e permite curvar depressa com segurança, ainda que com um adornar da carroçaria que não é excessivo, mas que se sente até mais que no Volvo.

E no conforto? É justo dizer que são os três muito competentes. Convencem com um nível de comodidade pouco vulgar neste segmento e até com jantes grandes montadas. No capítulo economia, o Land Rover é claramente o mais contido. Os consumos deste 2.0D são muito inferiores aos do velhinho motor 2.2 que equipava o Sport. Volvo e Hyundai são mais vorazes, principalmente em cidade, e facilmente chegam aos 7 l/100 km. No ato de assinar o cheque, o Volvo é o que precisa de mais ginástica para negociar um preço em conta uma vez que é o mais caro. O Land Rover não chega aos 48 mil euros e o Santa Fé com o desconto direto de 2700 euros pode tornar-se a escolha mais racional e sensata, já que tem a lista de equipamento de série mais completa, tem os sete lugares e um perfil familiar que os outros não têm. Só é preciso ultrapassar o preconceito de comprar um carro coreano, que alguns compradores ainda têm.

Assine Já

Edição nº 1460
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes