O Cactus tem nas laterais aquela textura catita e original que apetece fazer festinhas ou coçar as costas!

Sou distraído. Francamente. Um trintão a sofrer do síndrome de Peter Pan - em prantos desatados pelo pai cada vez que tem de tratar de burocracias, mais esquecido que um Primeiro-ministro perante a Segurança Social, sempre necessitado dum amigo que lhe lembre dos updeites dos smartfónix e duma alma feminina caridosa que lhe ajeite a gola da camisa. Em luta com relógios e assiduidades, absorto quando faz mais dum mero par de coisas em simultâneo (pouco adequado quando se conduz e escuta, subreptício, um guilty pleasure a rodar numa Cidade FM da vida). Distraído é pouco. Sou muitas vezes um verso dos GNR: “uma garrafa de óleo / boiando vazia / nas ondas da manhã”.  Assim sendo precisei destes anos todos de colaboração para me aperceber de “hate mail”. Escreveu recentemente um senhor, cujo nome protejo, curvando-me perante a dignidade dos seus cabelos brancos (boa foto de perfil facebuquiano, note-se) que “não entende como escrevo no Autohoje– só pode ter sido cunha - uma vez que não percebo nada de carros”. Efectivamente, é conhecida do grande público (e também de Marques Mendes) a sombria conspiração que tem tomado de assalto por via do Factor C todas as publicações dedicadas a motores. Identificada a absoluta urgência de possuir comediantes na ficha técnica, as administrações respectivas desataram num aqui d’el rey. Este vosso que vos escreve foi de imediato colocado no Autohoje, regiamente pago sob a forma de odaliscas dispostas a tudo; Zeinal Bava discorre sobre tractores na Autorotor; José Sócrates envia missivas directamente de Évora para a redacção do Cambota Monthly. Humoristas por todo o lado.

Mas vamos ao argumento rebatível. Não perceber de carros é, desde o primeiro dia, a condição sine qua non para me encontrar, muito orgulhosamente, na vossa companhia. Todavia, como o senhor em questão parece ainda não ter compreendido que este escriba não distingue a cabeça da junta da junta da cabeça, eis a minha percepção do veículo este mês gentilmente depositado ao meu cuidado: Citroen C4 Cactus (nota: até hoje não sei onde – nem como – colocar o trema):

a) É um carro jeitoso, gostei, sim senhor;

b) este era amarelo torrado (pausa para satisfazer um desejo súbito por ovos mexidos);

c) poupadinho e espaçoso (para comentários sobre a possibilidade de aventuras de cariz erótico consultar na Hemeroteca uma antiga croniqueta);

d)nas laterais tem aquela textura catita e original (apetece fazer festinhas ou coçar as costas).

E pronto. Perante esta assaz sapiente e cirúrgica análise espero que o indivíduo dispense totalmente a leitura de todos os outros conteúdos desta edição. Como desconfiam, o meu plano maquiavélico desde sempre.

 

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