Das histórias que me fui lembrar por ter guiado este Audi TT...

Contar e ouvir histórias. Algo que une a humanidade desde os primeiros raios de sol nos tempos primitivos. Um modo de nos unirmos e esquecermos dos perigos, dos medos, da certeza absoluta da morte. Desde homens das cavernas à volta da fogueira até aos grupos de whatsapp nos dias da aldeia global, continuamos a contar histórias para nelas nos encontrarmos. Vem o início algo poético de hoje a propósito do Audi TT 2.0 TFSI com 230 cv e tracção integral que tive o sublime gosto de conduzir. Não há muito a dizer sobre triunfos assim, excepto que nos aguçam desejos impossíveis (como pedir-lhe que fale para poder desabafar e pedir conselhos). Mas deu-me uma ideia, partilhar com o leitor as três mini-histórias mais bizarras que já me contaram tendo carros como protagonistas: a) O primeiro carro dum grande amigo tinha 13 anos e custou 200 contos. Os vidros abriam à mão. Um dia foi de férias e, três semanas depois, um senhor dormia lá dentro. Vendeu o auto-rádio que valia mais que o veículo; deu o dinheiro ao indivíduo, encontraram um local tranquilo para o chasso ficar, retiraram-lhe as matrículas e passou a ser o abrigo daquele outrora sem; b) Conhecida marota tinha a fantasia de manter relações num carro. Em movimento. O futuro marido hesitou, tremeu, adiou, até ela convencê-lo de que aquela estrada semi-deserta da costa alentejana era o spot ideal. Procederam à operação. Ele ao volante, ela de costas para a estrada, o carro – demasiado pequeno – num equilíbrio instável. Acabaram numa duna de praia. Rebocados e ilesos, duas horas depois, por um Jeep …onde seguiam dois padres; c) Amigo doidivanas é apanhado numa operação stop algures no apogeu dos seus 18 anos. Conhecido na terra, playboy, e com aquele charme com que só alguns predestinados nascem, nem se preocupou pelo estado do fígado e sobretudo por ir a bordo do carro do pai (sem consentimento do progenitor, que dormia a sono solto). Sem saber como, chegou a casa e foi o mais sorrateiro que pôde deitar-se na cama. É acordado pelo pai e, enquanto disfarça a ressaca, a última coisa que se lembra da noite anterior é de ser mandado encostar pela polícia. Sempre sereno, o senhor seu pai leva-o à garagem e, mesmo antes de abrir a porta, faz uma singela exortação: - Explica-me isto. E, em vez do seu Audi, na garagem encontrava-se, perfeitamente estacionado, um Fiat… carro-patrulha da PSP. 

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